Parceira: Agência Parceira RGB Comunicação

14/08/2017

Valorizar envolve entender o próximo, respeitar diferenças, conter impulsos, amadurecer as ideias e amar quem nos ama, na perspectiva humana

Pet, em inglês, tem somente três letras, mas se traduz em português por uma expressão de três palavras: bicho de estimação. Estimação é o substantivo do verbo estimar, ato que envolve contemplação, cuidado e respeito. O Brasil estima os seus bichos domésticos. 

Segundo dados do IBGE de 2013, somos o quarto país do mundo em número de animais de estimação. Há 52 milhões de cães, o que os torna mais numerosos que as crianças, e 22 milhões de gatos. A Associação Brasileira da Indústria para Animais de Estimação (Abinpet) informou que o setor teve, em 2016, um crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior, fechando o período com um faturamento de mais de R$ 19 bilhões. Vale lembrar: Em plena crise econômica.

Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que haja 30 milhões de animais abandonados nas cidades brasileiras. Deles, 20 milhões são cães. Não houve estima para eles. Mais que isso: temos 318 espécies de animais em perigo crítico de extinção, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

E o bicho-homem, como tratamos? De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), a população moradora de rua de São Paulo cresce 4,1% ao ano. Em contraste, a população da cidade como um todo cresce somente 0,7% ao ano. Havia 16 mil moradores de rua em 2016, o dobro de 15 anos atrás. 

A violência também assusta. O Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde registrou 3,4 mil assassinatos no Brasil a cada três semanas em 2015. Temos 19 das 50 cidades mais violentas do mundo. Morrem violentamente cerca de 60 mil brasileiros por ano. Isso está atrelado a inúmeros indicadores sociais, mas também à questão da valorização da vida humana. Nesse aspecto, nosso país não vai bem. 

Valorizar envolve entender o próximo, respeitar diferenças, conter impulsos, amadurecer as ideias e amar quem nos ama, na perspectiva humana. A sabedoria está na própria denominação da nossa espécie: homo sapiens. A sapiência é o nosso dom. Vejamos: 

Golfinhos se comunicam por sons que não podemos ouvir; cães podem seguir odores por quilômetros, incansáveis; felinos têm visão noturna; polvos mimetizam os arredores e nos desafiam com sua inteligência; águias caçam peixes que avistam dentro d’água a quilômetros na altura; os exemplos são infinitos, mas somos nós, somente nós, que podemos olhar para tudo isso, essa vida toda, e maravilhar-nos com a oportunidade de ter o sentido simbólico do milagre que é estar vivo, tão finitamente, tão improvavelmente, neste planeta tão velho e que já viu tanto. 

Quando Igor Savenhago, um dos editores desta revista, informou-me de que a lançaria, minha memória divagou. Voltou a uma década atrás, quando eu era estagiário na EPTV de Ribeirão Preto-SP e reconheci em Igor um jornalista mais experiente com quem aprender. Era um tempo em que eu vivia com a minha avó e também com gatos, cachorros e um jabuti, o Rex, que ainda está na mesma casa, em sua pós-adolescência. Minha avó já nos deixou. Os gatos sempre foram os favoritos meus e dela. 

Néige, que significa neve, em francês, era um gato velho, grande e completamente branco. Passou uns 15 anos em minha companhia, me viu crescer! Brincou comigo, foi meu travesseiro nas ressacas que tinha aos 18,19, 20, 21 anos, e me trazia toda a sorte de animais mortos: muitos insetos diferentes e até peçonhentos, além de cobras-cegas e sapos. Mas, ironicamente, nunca um rato.

Eu, ingenuamente, acreditava que eram presentes. Aprendi bem mais tarde que quando os gatos fazem isso é porque estão preocupados com você. Acham que você é incompetente demais para caçar para si mesmo e, por isso, tentam cuidar de você. Um gato livre tem a nós como bichos de estimação...

Hoje, tenho uma gata cinza e enorme, a Clarice, que é ciumenta e não gosta de muitos outros seres que não sejam eu, seja de qualquer espécie. E uma vira-lata preta, de médio porte, a Ítaca, que é a cachorra mais perfeita que já existiu, pelo menos para mim. Ela só melhora a minha vida. Um exemplo: mantenho-me em forma por causa dela! Saio para correr à noite pelas ruas do bairro da Aclimação, São Paulo-SP, com ela sem coleira (o que não recomendo, aliás), e ela me segue perfeitamente na calçada, jamais atravessando ruas sem minha ordem, jamais sendo agressiva, sempre atlética, inteligente e leal.

É claro que eu me canso muito antes dela, que é uma máquina de vigor. Melhor cachorro, não há. Melhor gato, não há. Aliás, são ambos resgatados. São bem tratados, amados e particulares. São como as pessoas e os animais sempre deveriam ser: estimados!

 

Eric B. Fernandes

Jornalista e professor, preocupado com pessoas e animais

 

*Artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Planeta Pet