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Impressora é movida com cartuchos contendo material biológico Impressora é movida com cartuchos contendo material biológico

23/01/2017

Pesquisadora brasileira ganhou prêmio internacional com estudos feitos nos EUA

Da redação, com informações da Agência USP

Fotos: Divulgação / Acervo Carolina Motter Catarino

Uma pesquisadora brasileira acaba de receber um prêmio internacional por um trabalho que visa criar modelos de pele humana, impressos em três dimensões (3D), para substituir animais em testes de cosméticos. Os estudos de Carolina Motter Catarino (foto abaixo), desenvolvidos num instituto em Troy, nos Estados Unidos, tiveram a base testada na Universidade de São Paulo (USP), sob orientação da professora Silvya Stuchi.

O prêmio recebido foi o The 2017 Lush Prizer, voltado a projetos que eliminam o uso de animais em pesquisas, como coelhos e ratos, ainda permitido em alguns países, apesar dos problemas que isso pode gerar. Ela explica que, fisiologicamente, os animais são muito diferentes dos humanos e, por causa disso, os resultados observados nos bichos podem não ser os mesmos nos humanos, causando efeitos adversos.

Para a impressão das peles, Carolina usou células provenientes de cirurgias plásticas ou de procedimentos para redução do prepúcio em recém-nascidos. As células foram reproduzidas em laboratórios, para que atinjam uma quantidade suficiente para formar uma porção de pele. O passo seguinte é preparar tintas biológicas (bio-inks), uma mistura que, de acordo com a pesquisadora, é composta por essas células e por proteínas também presentes na pele humana.

A impressão é controlada por um software. Após obtidas, as amostras de pele vão para uma incubadora, onde permanecem de 12 a 21 dias para a formação das camadas. O resultado é um material bastante parecido com a pele humana, pronta para avaliação de riscos de irritação ou de efeitos corrosivos que possam ser provocados pela aplicação de cosméticos.

Carolina faz, porém, uma ressalva. Os modelos que usou possuem apenas dois ou três tipos de células de um total de mais de 15 presentes normalmente na pele humana. Por isso, existe o espaço para a realização de estudos futuros, de maior complexidade, para aprimoramento dos resultados.