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Maria Luísa começou a cuidar de animais abandonados há mais de 30 anos Maria Luísa começou a cuidar de animais abandonados há mais de 30 anos

29/12/2017

Pioneira da “Cão que Mia” foi Maria Luísa, que hoje lidera o trabalho de 15 pessoas

Igor Savenhago

Fotos: Divulgação

Mais de 28 mil cães e gatos resgatados das ruas e doados. Isso só nos últimos 13 anos. Esse é o balanço da “Cão que Mia”, instituição de ajuda fundada por Maria Luísa Pereira Rosa, uma francana de 54 anos que não mede esforços para dar um lar a animais abandonados encontrados pela cidade onde mora.

Ela começou a gostar de bichos por influência do pai, ainda na infância. E, há mais de três décadas, se preocupa em tirá-los das ruas, castrar e destinar para doação. Quinze anos atrás, teve a ideia de montar o primeiro abrigo. Com duas amigas, implantou um canil numa área entre Franca e Patrocínio Paulista. Uma delas se casou e a outra se mudou para a Alemanha. Mas Maria Luísa não desanimou. Passou a juntar outras pessoas ligadas à causa. Hoje, a “Cão que Mia” é composta por 15 voluntários e conta com mais um canil, no caminho para Claraval.

São cerca de 110 animais nos dois abrigos e mais um tanto distribuído nas casas dos voluntários – nesses casos, são cães e gatos doentes, operados, com problemas cardíacos e outras debilidades, que exigem cuidados mais intensivos. “Juntando tudo, cuidamos de uns 300 animais”.

Imagens acima mostram como cães chegaram à "Cão que Mia" (esq.) e como estão hoje (dir.)

 

Feiras

O grupo, que sobrevive graças a donativos e a recursos arrecadados num pedágio realizado todos os sábados, organiza duas feiras de adoção por mês. Uma em que são disponibilizados cães e gatos recolhidos das ruas pelo próprio grupo e outra que abre espaço para a comunidade. “Existem pessoas que não têm mais condições de cuidar de um animal ou que estão com crias indesejadas em casa. Elas podem levar para a feira. Somos o único grupo de Franca que oferece a chance para isso.”

O cadastro do grupo não deixa dúvidas. São mais de 2 mil animais resgatados e doados todos os anos. O número, porém, só faz referência a cães e gatos que ganharam um novo lar. Juntando aqueles que vieram com enfermidades graves e que não resistiram, além dos foram alimentados e medicados na rua mesmo, por falta de condições para acolhê-los, a soma ultrapassa 30 mil. “Até cavalos e vacas que precisam de socorro contam com a ajuda dos nossos voluntários. Não há distinção. O problema é que muita gente que sabe do nosso trabalho abandona animais nas nossas portas. Falta de consciência”, diz Maria Luísa.

Cadela foi abandonada em meio a espinhos, amarrada à cerca de uma fazenda: ganhou saúde com as voluntárias do grupo

 

Abandono

Nos finais de ano, o problema aumenta. Famílias que vão viajar e passar temporadas mais longas longe de casa se desfazem de muitos animais. Entre eles, cadelas prenhas. “Os atropelamentos também são frequentes”. No mesmo período de 13 anos, Maria Luísa calcula que a “Cão que Mia” socorreu mais de 8 mil animais atropelados, metade só nos últimos dois anos. “O problema tem aumentado por causa do alto fluxo de veículos e da imprudência dos motoristas”.

E, quando a “Cão que Mia” é informada sobre algum caso, lá vão as voluntárias, não importa dia e horário. “Resgatamos muitos animais de madrugada, duas, três da manhã”. No caso de Maria Luísa, a ajuda do marido é fundamental. “Ele compreende e, muitas vezes, ajuda a pagar remédios e alimento para os animais”.

Um dos casos mais recentes e que a comoveu foi o de uma cadela idosa, abandonada doente. “Foi retirado um tumor dela que encheu uma bacia. Agora, está bem. Totalmente recuperada”.

Parte dos gastos do grupo é por conta dos próprios voluntários. Todos os meses, a “Cão que Mia” precisa de R$ 12 mil para manter o trabalho. As doações cobrem apenas R$ 6 mil. “Isso sem contar consultas e cirurgias que ganhamos de veterinários parceiros. Não fosse isso, nossas despesas seriam bem maiores”.

Aos interessados em colaborar, a “Cão que Mia” tem uma página no Facebook: https://www.facebook.com/caoquemia.franca/

História comoveu Maria Luísa: cadela idosa foi abandonada doente, com tumor entre as patas traseiras, que encheu uma bacia